Piracicaba

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Piracicaba é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. Pertence à Mesorregião e Microrregião de Piracicaba, localizando-se a noroeste da capital do estado, distando desta cerca de 164 km. Ocupa uma área de 1 376,913 km², sendo que 31,5733 km² estão em perímetro urbano e os 1 345,339 km² restantes constituem a zona rural. Em 2019, sua população foi estimada pelo IBGE em 404 142 habitantes, sendo o 16º mais populoso de São Paulo.

A sede tem uma temperatura média anual de 23,9 °C e na vegetação original do município predomina a mata atlântica. Com 97,3% de seus habitantes vivendo na zona urbana, o município contava em 2009 com 241 estabelecimentos de saúde.

 

O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2010 era de 0,785, considerado alto na classificação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo o 50º maior do estado. Em 2012, Piracicaba foi classificada pelo IPC como a 47ª cidade mais consumidora de todo o país, com R$ 7,54 bilhões em consumo, totalizando 0,27% de todo o país. Várias rodovias ligam Piracicaba a diversas cidades paulistas, tais como a Rodovia Luiz de Queiroz, a Rodovia Cornélio Pires e a Rodovia do Açúcar..

Piracicaba foi fundada em 1767, às margens do Rio Piracicaba, rio o qual foi vital para a região. No decorrer do século XIX, a agricultura desenvolveu-se no município, com destaque para o cultivo da cana-de-açúcar e do café. Contudo, ainda na primeira metade do século XX, a cidade entrou em decadência. Com o fim do ciclo do café e a queda constante de preços do açúcar, a economia piracicabana estagnou-se. Isso foi revertido a partir do início de sua industrialização.

 

A cidade tornou-se uma das primeiras a se industrializar no país, com a abertura de plantas fabris ligadas ao setor metal-mecânico e de equipamentos destinados à produção de açúcar. Esta atividade expandiu-se a partir da década de 1970 para o setor sucroalcooleiro, com a criação do programa Pró-álcool, voltado para a produção de álcool hidratado para uso automotivo, devido à crise mundial do petróleo em 1973.

 

Isto contribuiu significativamente para o crescimento industrial de Piracicaba ao longo das décadas seguintes, chegando a ser o 52º maior PIB brasileiro em 2012, sendo sede de um dos principais centros industriais da região, além de contar com diversas universidades, tais como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), pertencente à Universidade de São Paulo (USP), a Faculdade de Odontologia de Piracicaba, pertencente à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), e a Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP).

Além da importância econômica, Piracicaba ainda é um importante centro cultural de sua região. Os bairros de Santa Olímpia (fundado por tiroleses trentinos)[10] e Santana, por imigrantes Italianos.

 

O Horto Florestal de Tupi e o Balneário de Ártemis configuram-se como grandes áreas de preservação ambiental, enquanto que o Parque Professor Phillipe Westin e os parques situados às margens do Rio Piracicaba são relevantes pontos de visitação localizados na zona urbana. Além dos projetos e eventos culturais realizados pela Secretaria da Ação Cultural da Prefeitura de Piracicaba (SEMAC), órgão responsável por projetar a vida cultural piracicabana.

 

O Salão Internacional de Humor de Piracicaba, por exemplo, é considerado um dos mais importantes eventos sobre humor gráfico, realizado anualmente no Engenho Central, antigo engenho canavieiro que foi tombado como patrimônio histórico e cultural, servindo hoje como espaço cultural, artístico e recreativo.
 

Etimologia

 

O nome do município vem da língua tupi e significa "o lugar onde o peixe para", através da junção dos termos pirá ("peixe"), syk ("parar") e aba ("lugar"). É uma referência às quedas do Rio Piracicaba, que bloqueiam a migração (piracema) dos peixes.

 

História

 

Povoamento e criação do município
 

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Paisagem do Rio Piracicaba,
de José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899).

 

O vale do Rio Piracicaba começou a ser ocupado por descendentes de europeus durante o século XVII, quando alguns colonos adentraram a floresta e começaram a ocupar as terras ao redor do Rio Piracicaba, praticando a agricultura de subsistência e exploração vegetal.

Em 1766, a Capitania de São Paulo decidiu fundar uma povoação na região, que serviria de apoio à navegação das embarcações que desceriam o Rio Tietê, em direção ao Rio Paraná e também daria retaguarda ao Forte de Iguatemi, localizado na divisa com o futuro Paraguai.

 

A povoação deveria ser fundada na foz do Rio Piracicaba com o Tietê, nas proximidades da atual cidade de Santa Maria da Serra, mas o capitão Antônio Correa Barbosa, incumbido de tal missão, decidiu-se por um ponto localizado a noventa quilômetros da foz do Piracicaba, lugar já ocupado por alguns posseiros e com melhor acesso a outras vilas da região, notadamente Itu.

 

A povoação de Piracicaba foi fundada em 1 de agosto de 1767, na margem direita do rio, localizado aproximadamente onde futuramente se situaria o Engenho Central e partes da Vila Rezende. A povoação de Piracicaba era ligada politicamente a Itu, então a cidade mais próxima. No ano seguinte, a povoação tornou-se freguesia.

O terreno irregular e infértil da margem esquerda do rio provocou, em 1784, uma mudança da sede da freguesia para a margem direita do rio. No início do século XIX, a região se desenvolveu, baseada na navegação do Rio Piracicaba e no cultivo da cana-de-açúcar.

 

Em 1821, a freguesia foi elevada à condição de vila, com o nome de Vila Nova da Constituição, em homenagem à Constituição Portuguesa que estava em fase de aprovação naquele ano.

 

Com a elevação à condição de vila e com o desenvolvimento do cultivo da cana-de-açúcar, a vila se desenvolveu rapidamente. Já em 11 de agosto de 1822, foi realizada a primeira reunião da que viria a ser a futura Câmara de Vereadores da cidade.

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Engenho Central de Piracicaba,

fundado em 1881.

 

Piracicaba desenvolveu-se rapidamente, tornado-se a principal cidade da região e polarizando outras vilas que dariam origem às cidades de São Pedro, Limeira, Capivari, Rio Claro e Santa Bárbara d'Oeste.

 

A cidade permaneceu vinculada ao cultivo de cana-de-açúcar, ignorando a chegada do café no Oeste Paulista, cultivo que se tornaria o motor da economia paulista no final do século XIX.

 

Devido ao cultivo da cana-de-açúcar, a região tornou-se um dos principais polos escravocratas no Oeste Paulista, com grande presença de escravos e libertos negros.

 

No entanto, o Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro (conhecido como Senador Vergueiro), proprietário da Fazenda Ibicaba (na época pertencente ao território de Piracicaba), em 1847 foi pioneiro em adotar a mão-de-obra imigrante assalariada em substituição aos escravos africanos, contratando famílias suíças e alemãs.

Em 1877, a cidade passou a ter ligação ferroviária da Companhia Ytuana de Estradas de Ferro com Itu e Jundiaí, via Capivari e Indaiatuba. No mesmo ano, por intermédio de seu então vereador e futuro presidente da República, Prudente de Morais, a cidade adotou o nome de "Piracicaba", abandonando a denominação portuguesa de Vila Nova da Constituição.

 

No ano de 1881, às margens do Rio Piracicaba, foi fundado o Engenho Central de Piracicaba, que viria a se tornar um dos maiores engenhos de açúcar do Brasil nos anos seguintes.

 

Séculos XX e XXI

 

Em 1900, Piracicaba firmou-se como um dos maiores polos do estado de São Paulo: era a quarta maior cidade do estado, possuía luz elétrica, serviço de telefone e, em terras doadas por Luiz Vicente de Sousa Queiroz, começou a formação da futura Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo. Em 1922, 45 anos após a chegada dos trilhos da Companhia Ytuana de Estradas de Ferro, Piracicaba passou a ter um ramal da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

No entanto, Piracicaba começou a entrar em uma longa estagnação e leve decadência, que atingiria a cidade durante boa parte do século XX. Com o fim do ciclo do café e a queda constante de preços do açúcar, a economia piracicabana começou a se estagnar.

 

Na tentativa de reversão do cenário, a cidade tornou-se uma das primeiras a se industrializar no país, com a abertura de plantas fabris ligadas ao setor metal-mecânico e de equipamentos destinados a produção de açúcar. A industrialização, ainda muito baseada no ciclo da cana-de-açúcar, impediu a queda maior da cidade, mas não a estagnação.

 

A partir da segunda metade do século XX, a cidade passou a enfrentar mais uma dificuldade para o seu desenvolvimento: o crescimento da cidade de Campinas e seu entorno (atual Região Metropolitana de Campinas).

 

Vista aérea da região central do município.

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A cidade atualmente, com o Rio Piracicaba         Vista aérea da região central do município.

        em primeiro plano, em cujas margens

                       ela se desenvolveu.

A partir da década de 1970, foram tomadas iniciativas para alavancar a economia piracicabana.

 

Foi construída a Rodovia do Açúcar, ligando a cidade à Rodovia Castelo Branco, o que serviria como uma nova rota de escoamento da produção, bem como garantia de manutenção da influência de Piracicaba na região de Capivari. A Rodovia Luiz de Queiroz é duplicada até a Rodovia Anhanguera, melhorando o acesso à cidade e a ligando com a principal rodovia do Interior de São Paulo.

 

Foram criados distritos industriais e novas empresas chegam à cidade.

 

Paralelamente, a criação do programa federal denominado Pró-álcool, que incentivava o uso automotivo de álcool combustível a partir da cana-de acúcar, modernizou o seu cultivo e ajudou a revigorar a produção canavieira.

 

Outros projetos, porém, não foram realizados, como a Barragem de Santa Maria da Serra (destinada à retomada da navegação no Rio Piracicaba, o interligando com a Hidrovia Paraná-Tietê), o alcoolduto e a aproximação da Rodovia Anhanguera da cidade, por meio de um traçado paralelo (tal projeto se concretizou de forma diferente, com o prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes, porém passando por Santa Bárbara d'Oeste).

 

Apesar disso, Piracicaba optou por diversificar sua economia, saindo do longo ciclo de estagnação e retomando o crescimento, recebendo diversos e pesados investimentos nas últimas duas décadas.

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O município vem registrando bons índices de desenvolvimento, recuperando áreas degradadas e apostando na biotecnologia e produtos de exportação para o seu desenvolvimento futuro. Em 2012, a cidade de Piracicaba tinha a segunda maior população e a terceira maior economia da Região Administrativa de Campinas (superada apenas por Campinas e Jundiaí), sendo um dos maiores polos de produção sucroalcooleira do mundo, além de contar com um importante centro industrial e diversas universidades de renome.

Em 2012, o município recebeu a fábrica da Hyundai, gerando milhares de empregos e transformando a região, ampliando assim sua participação no setor industrial, passando a ser uma das mais significativas no interior do Estado de São Paulo. Em 2012, segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto de Piracicaba foi de R$ 11,9 bilhões. As outras sedes de microrregiões, Limeira e Rio Claro tiveram em 2012, respectivamente, PIB de 7,7 bilhões e 5,8 bilhões. Campinas, Ribeirão Preto e Araraquara, sedes de mesorregiões limítrofes, tiveram, respectivamente, PIB de 42,8 bilhões, 20,3 bilhões e 5,7 bilhões. Em junho de 2012 foi criada a Aglomeração Urbana de Piracicaba, que em 2014 foi listada pelo IBGE entre as 25 maiores regiões administrativas do país em número de habitantes. Em 2015, estava na 20ª posição na lista, com 1,412 milhão de habitantes.

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Símbolos de Piracicaba

Panorama da cidade em setembro de 2013.

 

Geografia

 

A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de 1378 km², sendo que 31,5 km² constituem a zona urbana e os 1346,5 km² restantes fazem parte da zona rural.

 

Situa-se a 22º43′30” de latitude sul e 47º38′56” de longitude oeste e está a uma distância de 164 quilômetros a noroeste da capital paulista.

 

Limita-se com: Saltinho, Laranjal Paulista, Rio das Pedras e Tietê (a sul); Santa Bárbara d'Oeste e Capivari (sudeste); Limeira e Iracemápolis (leste); Rio Claro (nordeste); São Pedro, Charqueada e Ipeúna (norte); Santa Maria da Serra (noroeste); Anhembi (oeste); e Conchas (sudoeste).

 

Geomorfologia e hidrografia

No relevo de Piracicaba apresenta-se predominância de áreas acidentadas, sendo que a depressão é maior na parte central de seu território.

 

Ela continua pelo sentido leste-oeste do curso do Rio Piracicaba, aumentando sua acentuação no interior da zona urbana a partir do salto do Rio Piracicaba.

 

Essa região divide as bacias dos Rios Piracicaba e Tietê.[25] Os vales convergidos para o Rio Tietê (na região sudoeste do município) e para o Rio Piracicaba (região central) têm sentido norte-noroeste e provocam depressões mais acentuadas nestas áreas.

 

As regiões mais baixas têm cerca de 420 m., enquanto que as mais elevadas possuem média de 780 m. A altitude média de Piracicaba é de 528 m, sendo que o município situa-se uma área bastante declivada, sendo a declividade média de 7,8%.

Em Piracicaba ocorre uma grande diversidade de solos, que em determinadas áreas apresentam boa fertilidade, o que acaba em favorecer a agricultura no município. Essa variedade se deve à junção de diversos materiais distintos associada às características de seu relevo acidentado.

 

Os principais solos são os do tipo latossolo, que têm textura média ou argilosa, são densos e aptos para reter água.

 

A fertilidade é variável, sendo predominantemente baixa, necessitando de adubação e adequação para que atinja bons níveis de produtividade. Nas regiões norte, centro e sul há grande presença de podzólicos preenchidos com vários outros tipos de solo (tais como brunizens, litólico, pozólicos e cambissolos), sendo esta a variedade mais usada na agricultura.

 

A oeste de Piracicaba os solos são muito arenosos, tendo fertilidade baixa, pouca capacidade de reter água e tendência a erosões.

A densidade do relevo interfere diretamente no seguimento das redes de drenagem, assim com estas também são capazes de modificar a configuração da superfície.

 

As redes hidrográficas são mais concentradas nas porções central e norte de Piracicaba, sendo que em todo o município o comprimento total das redes é de 2 139 km. Os principais rios que banham o território são o Piracicaba, o Tietê e o Corumbataí.

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Piracicaba

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